quinta-feira, 25 de julho de 2013

Os professores são os autores

Os professores são os autores

Aplicativos e softwares permitem que os educadores criem seus próprios materiais didáticos

Por Isabela Morais — publicado na edição 73, de fevereiro de 2013
Na Escola Móbile, em São Paulo, as turmas do Ensino Médio, além dos livros didáticos tradicionais, também usam dois digitais, um de Biologia e outro de Física, criados pelos próprios professores. Segundo Rodrigo Mendes, coordenador educacional da escola, os eBooks (eletronic books, ou livros eletrônicos, em inglês) acrescentam informações que não podem ser representadas no papel comum. “Com o recurso, agregamos mais conteúdos e formatos às aulas, como vídeos e testes”, comenta.

Os livros eletrônicos podem ser lidos em computadores, smartphones, tablets e eReaders. Assim como vídeos e imagens, eles possuem diversos formatos. Os arquivos em PDF são os mais próximos dos livros impressos. Por apresentar páginas fixas, o documento aparece de maneira idêntica em qualquer plataforma em que estiver sendo lido. Por isso, são pouco práticos em aparelhos pequenos, como um celular ou um eReader, já que não se ajustam ao tamanho da tela.

Segundo José Fernando Tavares, diretor-técnico da Simplíssimo Livros, produtora de livros digitais, o PDF perdeu espaço para um formato mais dinâmico, o ePub (electronic publication). “Um livro em ePub vai se adaptar a qualquer tamanho de tela, desde computador até smartphone”, explica. Um mesmo livro que apresenta 250 páginas em um celular, por exemplo, terá cerca de 60 páginas em um computador e 100, em um tablet. O formato permite a inserção de animações, vídeos e áudios.

Além da portabilidade e da interatividade, o universo dos eBooks em ePub também facilita a autoria. Na Móbile, foi o próprio Mendes quem criou o livro de Biologia. Já o de Física foi feito por uma equipe de professores e um técnico. Ambos foram produzidos com o iBooks Author, aplicativo dos tablets da Apple que permite criar e divulgar as obras. Há três anos auxiliando jovens autores na criação de seus livros, Tavares garante: “É possível produzir arquivos em ePub sem conhecimentos profissionais”.

Há uma série de softwares que podem ser utilizados pelo professor que deseja criar seus próprios livros digitais. Para os usuários do BR Office, José Fernando Tavares recomenda a extensão Writer2ePub, que transforma os arquivos de texto em livros digitais. O  BrOffice é um conjunto de programas de escritório semelhante ao Office da Microsoft, com a vantagem de ser um software gratuito.

Para criar o eBook, Tavares explica que é preciso instalar a extensão dentro do BrOffice. Com o Writer2ePub acoplado, é possível usá-lo em qualquer documento do editor de textos equivalente ao Word. “O Writer2ePub faz um bom trabalho na criação de livros simples”, avalia. Para facilitar o acesso às páginas por meio do sumário, é preciso hierarquizar os títulos e subtítulos antes de criar o arquivo ePub. O Writer2ePub suporta imagens, notas de rodapé e tabelas, mas não roda áudios e vídeos.

Outra sugestão é o Calibre. Para Tavares, o programa é uma espécie de canivete suíço, pois converte, organiza, armazena e lê os documentos gratuitamente. Uma das possibilidades é transformar os PDFs, fixos e de difícil leitura em aparelhos pequenos, em um documento ePub.

Outra ferramenta permite conectar o programa a uma página da Web por meio do RSS. A cada nova postagem do site, o Calibre baixa o arquivo e o transforma automaticamente em ePub. Ele também organiza a biblioteca virtual e disponibiliza o recebimento de notícias de jornais do mundo inteiro.

O software é instalado no computador e, pela conexão USB, envia os livros digitais para os leitores móveis. Os aparelhos com sistema Android disponibilizam o aplicativo, que permite o acesso via internet sem fio aos dados do Calibre instalado no computador que estiver conectado na mesma rede. Já quem utiliza muitas máquinas tem a opção de carregá-lo em um pen drive. Os arquivos criados pelo programa podem conter imagens e tabelas, mas não há ferramentas para inserir áudios e vídeos.

Se o objetivo for gerar eBooks mais profissionais, Tavares indica o Sigil, que permite a criação direta de ePubs. Isso facilita a edição de funções mais complexas, como quebras de capítulos, inserção de imagens e escolha do visual da página.

O software disponibiliza dois métodos de criação: um por meio de códigos XHTML, basicamente os mesmos usados por uma página simples da internet, e outro através de um editor visual, com menus semelhantes ao do Word. “Para quem já está acostumado a trabalhar com páginas na Web fica fácil. Mas mesmo quem não conhece os códigos não terá muita dificuldade”, garante.

O Sigil é indicado para quem pretende criar livros de Matemática, pois possui um painel de caracteres especiais. 

Os pontos negativos são a lentidão e os constantes travamentos do programa. Incorporar imagens, por exemplo, é uma tarefa que pode tomar alguns minutos, dependendo do tamanho do arquivo. O programa não aceita vídeos e áudios.

Finalmente, o aplicativo utilizado pela Escola Móbile para a criação de seus dois livros, o iBooks Author, é de uso exclusivo para os tablets da Apple, os iPads. A interface é semelhante à de um editor de texto comum, com o acréscimo de ferramentas para adição de imagens, áudios, vídeos, objetos em 3D, tabelas e gráficos. Com o aplicativo, o autor tem a opção de criar perguntas de revisão e imagens interativas, nas quais os leitores podem ampliar ou reduzir áreas específicas e ver descrições detalhadas.

“Ele é bem simples, bem intuitivo, mas dá trabalho”, avalia Mendes. Para o coordenador, é preciso tempo para planejar o livro e se familiarizar com todas as funções do aplicativo. Outro problema é a visualização. Por ser produto da Apple, os livros digitais só funcionam nos tablets da empresa. “Fizemos versões em PDF para que os alunos pudessem ver em qualquer computador, mas perdemos todo o material de interação”, comenta.

Vantagens e desvantagens dos softwares


PRÓS
Writer2ePub
Fácil de usar; gratuito; em português
Calibre
Multifuncional; gratuito; em português
Sigil
Liberdade de criação; gratuito; em português
iBooks Author
Permite imagens, áudios, vídeos, objetos 
3D e elementos interativos; em português

Os desafios da escola 2.0

Os desafios da escola 2.0

É necessário criar um projeto pedagógico mais conectado às novas tecnologias

Por Thais Paiva — publicado na edição 77, de junho de 2013
Cada vez mais cedo, computadores, celulares, tablets e outros aparelhos digitais fazem parte da vida de crianças e adolescentes brasileiros. No País, a idade do primeiro acesso à internet é, em média, entre 9 e 10 anos. Metade dos jovens afirma conectar-se à rede diariamente. Os dados são da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2012, elaborada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), que analisou o uso da web entre jovens de 9 a 16 anos e seus impactos sociais.
 
“A rapidez com a qual crianças e jovens estão obtendo acesso a tecnologias virtuais, convergentes, móveis e interconectadas não encontra precedentes na história da inovação e difusão tecnológica”, indica no estudo Sonia Livingstone, diretora da rede EU Kids Online e professora no Departamento de Mídia e Comunicação da London School of Economics and Political Science. “Essas mudanças apresentam aos pais, aos professores e às crianças o importante desafio de adquirir, aprender a usar e definir objetivos para o uso da internet em suas vidas diárias.”
 
Nesse panorama, as duas principais instituições responsáveis pela formação das novas gerações – família e escola – ganham responsabilidades imensas, mas ainda se encontram perdidas diante dos desafios da inclusão e orientação digital. “Elas estão perplexas ante crianças e jovens cada vez mais informados, participantes e conscientes (mesmo que confusamente) de seus direitos, além de serem digitalmente competentes e de se mostrarem totalmente à vontade diante dessas novas tecnologias”, aponta Maria Luiza Belloni, doutora e mestra pela Universidade de Paris-Sorbonne e pós-doutora em Comunicação Política.
 
No ensino, fica evidente o descompasso entre o que os alunos têm nas mãos e a capacidade da escola de usar as novas tecnologias com propósitos pedagógicos. “Enquanto os alunos levam seus celulares para a sala, os professores muitas vezes não têm à disposição computadores e conexão para a realização de tarefas básicas como a busca de informações na internet”, alerta Maria Paulina de Assis, doutora em Educação pela PUC-SP.
 
Além disso, a falta de infraestrutura tecnológica, dificuldades de gestão escolar e problemas com a própria ação pedagógica, a dificuldade dos professores para adotar novas tecnologias, aparecem como grandes desafios. No ensino público, destaca-se também a fragilidade da implementação das políticas públicas. “A escola pública tem sempre projetos a serem implementados, e a inserção das novas tecnologias para o uso pedagógico acaba sendo muitas vezes atropelada por necessidades mais imediatas. Dessa forma, a presença de tecnologias na escola acaba sendo geradora de problemas e não de soluções”, destaca Maria Paulina.
 
O estudo TIC Kids Online Brasil 2012 também mostra como as novas tecnologias e a internet podem se transformar em potencial para inovações educativas, trazendo mais motivação para a aprendizagem na sala de aula e além dela. Para isso, entretanto, fica clara a necessidade de uma abordagem pedagógica que extrapole o uso dessas tecnologias pelos professores apenas como recurso para estratégias didáticas convencionais.
 
“A inclusão digital de jovens não depende da aplicação da tecnologia a políticas pedagógicas somente. É possível até mesmo dizer que nisto não há muita diferença entre escolas públicas e privadas, pois as privadas podem até estar mais à frente no sentido de ensinar os alunos a manipular o computador, mas também não utilizam os recursos digitais para criar novas propostas de ensino, como utilizar um game para resolver uma equação de segundo grau”, explica Regina de Assis, mestre e doutora em Educação pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Colúmbia e consultora em mídia e educação.
 
A pesquisadora Ellen Helsper, doutora da London School of Economics, chama ainda a atenção para o que considera um equívoco das escolas, que é fazer uma divisão entre o universo online e o mundo real. “Esses dois campos são uma coisa só: a vida do aluno. Na escola, os piores lugares para se aprender a mexer no computador são as salas de informática, justamente porque configuram ambientes não familiares, estranhos, separados da vivência cotidiana dos jovens.”
 
Segundo Maria Paulina, as novas tecnologias devem ser integradas ao currículo por meio de uma pedagogia voltada para o aluno, tendo as motivações para a aprendizagem como centro da atenção do professor. Dessa forma, as dificuldades do professor em apropriar-se das novas tecnologias deixam de ser um problema, pois ele passa a atuar mais como mediador e orientador do conteúdo obtido através dessas interfaces.
 
“Assim, o professor fica mais atento aos objetivos de aprendizagem, à provisão de informações e orientações quando necessário, ao acompanhamento dos resultados, à avaliação, à observação de comportamentos e atitudes dos alunos que necessitam de intervenção, tendo um papel mais de mediador da aprendizagem do que de transmissor de conhecimentos”, explica.

sábado, 13 de julho de 2013

Importância dos recursos tecnológicos na sociedade contemporânea



Importância dos recursos tecnológicos na sociedade contemporânea

O desenvolvimento tecnológico acarretou inúmeras transformações na sociedade contemporânea, principalmente nas duas últimas décadas. Hoje são possíveis realizações que, há pouco mais de 40 anos, faziam parte apenas do mundo da ficção — viagens espaciais, discagens telefônicas entre continentes, retiradas de dinheiro fora do horário bancário, pagamentos eletrônicos, sofisticados exames clínicos, robôs que constroem outras máquinas etc.
A sociedade, de modo geral, está constantemente se beneficiando dos progressos da tecnologia sem, muitas vezes, ter consciência disso. Ler um jornal, uma revista ou um livro, assistir à programação de televisão, utilizar o telefone; tomar um refrigerante, pagar uma conta no banco, fazer compras no supermercado, viajar de ônibus, trem ou avião são usos da tecnologia que fazem parte do cotidiano. Ou seja, a sociedade usufrui de tecnologia, na medida em que a realização dessas atividades pressupõe a presença de recursos tecnológicos em algum estágio do processo: na produção do mercado editorial, na produção da mídia audiovisual, no sistema de telecomunicações, nas transações comerciais ou na produção de produtos de consumo.
Cada vez mais a linguagem cultural inclui o uso de diversos recursos tecnológicos para produzir processos comunicativos, utilizando-se diferentes códigos de significação (novas maneiras de se expressar e de se relacionar). Além dos meios gráficos, inúmeros meios audiovisuais e multimídia disponibilizam dados e informações, permitindo novas formas de comunicação.
As tecnologias da comunicação, além de serem veículos de informações, possibilitam novas formas de ordenação da experiência humana, com múltiplos reflexos, particularmente na cognição e na atuação humana sobre o meio e sobre si mesmo. A utilização de produtos

Tecnologia: estudo das técnicas, isto é, da maneira correta de executar qualquer tarefa. A história da tecnologia é a história milenar dos esforços do homem para dominar, em seu proveito, o ambiente material. Durante muitos milênios, o progresso tecnológico realizou-se à custa de experiências empíricas e de erros, podendo-se afirmar que somente a partir de fins do século XVIII a tecnologia tornou-se ciência aplicada.

Recursos tecnológicos: produtos da tecnologia, qualquer objeto criado para facilitar o trabalho humano. Portanto, a roda, o machado, utensílios domésticos, televisão, telefone, trator, relógio, são recursos tecnológicos, assim como motores,engrenagens, turbinas, cabos e satélites.

Tecnologias da comunicação e informação: diz respeito aos recursos tecnológicos que permitem o trânsito de informações, que podem ser os diferentes meios de comunicação (jornalismo impresso, rádio e televisão), os livros, os computadores etc. Apenas uma parte diz respeito a meios eletrônicos, que surgiram no final do século XIX e que se tornaram publicamente reconhecidos no início do século XX, com as primeiras transmissões radiofônicas e de televisão, na década de 20. Os meios eletrônicos incluem as tecnologias mais tradicionais, como rádio, televisão, gravação de áudio e vídeo, além de sistemas multimídias, redes telemáticas, robótica e outros.

sábado, 6 de julho de 2013

Os “nativos digitais” sabem realmente tudo?

Os “nativos digitais” sabem realmente tudo?


Nos últimos tempos, alguns palestrantes e articulistas que tenho acompanhado costumam abordar o termo “nativos x imigrantes digitais”, muitos deles inspirados em Prensky, autor do livro “Digital Natives, Digital Immigrants”.  De acordo com esta visão, a geração mais jovem acaba demonstrando mais facilidade e interesse no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), justamente pelo fato de ter nascido neste mundo tecnológico e por terem  desde cedo  acesso a estes recursos.

De fato, é o que constatamos ao ver crianças bem pequenas manuseando com facilidade desde o controle remoto da TV, até mesmo os celulares, videogames e computadores.  Quantos de nós já nos surpreendemos com exemplos destes na família ou mesmo na escola?

Ainda assim, é um tanto perigoso acharmos que isso é suficiente para que estas gerações avancem e consigam de fato aproveitar o potencial das TIC de forma produtiva e é também um tanto preconceituoso acharmos que pessoas mais velhas não são capazes de utilizar as TIC. Generalizações são sempre perigosas.  Há sim crianças que podem não gostar tanto de tecnologia, bem como há “imigrantes digitais” que se adequaram perfeitamente a este mundo das TIC.

Como educadores, de fato precisamos pensar, independente de qualquer classificação de gerações, de que forma podemos aproveitar o potencial das TIC para melhoria da qualidade dos processos de aprendizagem, desenvolvimento da autonomia dos alunos e consequentemente aprendizagem ao longo da vida.

Estes aspectos não são tão simples assim… Não dependem apenas do manuseio, interesse ou facilidade técnica para uso das TIC. Cada educador, precisa saber avaliar se os seus alunos – os chamados “nativos digitais” – sabem ou ao menos possuem a intenção de utilizar as tecnologias digitais para aprender algo, compartilhar ideias, selecionar criticamente informações que encontram na Web ou mesmo desenvolver trabalhos colaborativos.  É nesse sentido que também precisamos contribuir com a formação de nossos alunos.

Não basta apenas nos contentarmos em ter os alunos nas redes sociais on-line. Afinal, estas redes sempre existiram e é natural que eles “curtam” encontrar e interagir com conhecidos (e o pior… desconhecidos também) no Facebook ou Orkut. Porém, quantos destes sabem navegar com segurança na Internet?

Vejo educadores propondo atividades para que os alunos realizem no Facebook e Orkut, com o simples argumento de que “já que eles gostam… então temos que usar”. Ora, se eles já gostam, essa não é uma razão pedagógica para o uso das redes sociais. De fato é necessário aproveitar que eles gostam ou ao menos não ignorar as características dos espaços em que os manifestam interesse em atuar, mas a escola precisa, para cumprir sua missão social, ir além do que os alunos “curtem”. Se por acaso eles não “gostarem” de escrever, pensar, aprender…  não poderemos deixar de fazê-lo.

Aos professores, mesmo os que forem considerados “imigrantes digitais”, resta a experiência de estarem há mais tempo neste mundo e de conhecerem desafios que não são nada novos. A dificuldade em trabalhar com pesquisa na escola já existia antes da era da internet e hoje é facilitada pelas tecnologias digitais. Da mesma forma que persiste o bullying, hoje temos desafios ainda maiores com o cyberbullying.  Por outro lado, há muitas novas formas de aprender e compartilhar conhecimento em rede com a disponibilidade de recursos que temos hoje on-line. Esse processo pode ser ainda mais enriquecedor se combinado com recursos tão bem conhecidos pelos professores e que existem há muito tempo na escola, como os livros impressos.

É preciso unir o útil ao agradável. Unir talvez os “imigrantes” com os “nativos” e pensar de que modo esta parceria pode trazer benefícios para a educação. Se os “nativos digitais” já gostam de  utilizar as TIC, interagir on-line e demonstram também facilidade técnica, a grande contribuição do professor pode ser provocá-los para que usem toda esta potencialidade para aprender ao longo da vida e para que sejamos produtores de conhecimento e não meros “curtidores” de serviços e novas tecnologias.