domingo, 24 de novembro de 2013

O PERCURSO HISTÓRICO DA PSICOLOGIA ALIADO ÀS CONTRIBUIÇÕES DOS REFERIDOS FILÓSOFOS.

             O PERCURSO HISTÓRICO DA PSICOLOGIA ALIADO ÀS CONTRIBUIÇÕES DOS REFERIDOS FILÓSOFOS.

A contribuição da Filosofia foi muito importante para o surgimento da Psicologia enquanto ciência, principalmente pelas ideias postuladas por Sócrates, Platão e Aristóteles
A construção histórica da Psicologia tem suas raízes na Filosofia, da qual recebeu importantes contribuições para o seu desenvolvimento enquanto ciência. Nesse âmbito, cabe destacar as contribuições de três filósofos que se destacaram nesse processo: Sócrates, Platão e Aristóteles. Para Sócrates, o conhecimento só era possível a partir do reconhecimento do homem quanto à sua própria ignorância diante dos acontecimentos do mundo, tanto é que uma de suas frases mais famosas diz “só sei que nada sei”. Platão, discípulo de Sócrates, procurou definir um “lugar” para a razão no nosso próprio corpo. Propõe o homem como um ser dualista, ou seja, que possui corpo e mente cada um com diferentes funções. Aristóteles, por sua vez, postulava que o conhecimento é adquirido por meio de experiências e utilizando os órgãos dos sentidos e as sensações.



                                                      TEORIAS E SISTEMAS.


O Funcionalismo é considerado a primeira sistematização, genuinamente americana de conhecimentos em Psicologia. Uma sociedade que exigia o pragmatismo para seu desenvolvimento econômico acaba por exigir dos cientistas americanos o mesmo espírito.
O Funcionalismo nunca foi uma posição sistemática altamente diferenciada. De fato, segundo Woodworth (1948), " dá-se o nome psicologia funcional a uma psicologia que procura dar uma resposta exata e sistemática às interrogações "O que fazem os homens?" e "Por que o fazem ?". Nos termos de uma tão débil especificação, o funcionalismo não poderia morrer enquanto os nossos hábitos linguísticos de perguntar "o que", "como" e "por que"não fossem substituídos por outros. Mas, provavelmente, isso é uma especificação inadequada do funcionalismo. Embora a sua definição deva permanecer tão vaga quanto o sistema, podemos acrescentar, pelo menos, que um funcionalista está caracteristicamente interessado na função do comportamento e da consciência do organismo. Também é provável que o funcionalista se interesse com as relações funcionais ou de dependência entre antecedentes e consequentes ; neste caso, função é usada em seu sentido matemático. A Psicologia americana, influenciada pela teoria da evolução e por um espirito prático, preocupou-se com a utilidade da consciência e do comportamento. Por isso a sua tendência foi funcional.
Para responder a isso William James elege a consciência como o centro de suas preocupações e busca a compreensão de seu funcionamento, na medida que o homem a usa para adaptar-se ao meio.



O ESTRUTURALISMO


A psicologia introspectiva altamente desenvolvida que recebeu o nome de estruturalismo ou existencialismo é representada em sua definitiva forma americana pela obra de Edward B. Titchener. Em 1988, Titchener apurou e dramatizou de tal modo a destinção estrutural- funcional, que James fizera quase displicentemente em 1984 que podemos dizer ter sido ele quem, efetivamente batizou ambos os sistemas.
O Estruturalismo está preocupado com a compreensão do mesmo fenômeno que o funcionalismo: a consciência. Mas, diferentemente William James, Titchner irá estudá-la em seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência, como estrutura do sistema nervoso central. Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas foi Titchner, seguidor de Wundt, quem usou o termo estruturalismo pela primeira vez, no sentido de diferenciá-la do funcionalismo, o método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo, e os conhecimentos psicológicos produzidos são eminentemente experimentais, isto é, produzidos a partir de laboratórios.
O principal significado do estruturalismo foi triplo. Em primeiro lugar, imprimiu um forte impulso científico à psicologia, ligando pela primeira vez o nome de psicologia a um empreendimento do tipo científico, com reconhecimento acadêmico formal, e claramente separado dos dois principais campos para parentais, a Fisiologia e Filosofia. Em segundo lugar, pôs à prova, de uma forma exaustiva, as possibilidades do método introspectivo clássico como o único método para uma psicologia completa. Terceiramente proporcionou uma fonte ortodoxia contra a qual as forças funcionalistas behavioristas e gestaltistas puderam organizar a sua resistência. As escolas mais recentes surgiram de uma progressiva reformulação e recusa final de problemas estruturais básicos. Este fato, por si só, faz da psicologia introspectiva analítica de Wundt e Titchner um objeto necessário para o estudo contemporâneo.



O ASSOCIACIONISMO


O associacionismo é mais um princípio do que uma escola de Psicologia.
Assim estando o associacionismo enraizado na Filosofia, a sua história remonta à Antiguidade. A sua influência veio se estendendo até o presente, porquanto é ainda uma força ativa que está subjacente em grande parte da Psicologia. De uma ou outra forma, as idéias associacionistas têm sido encampadas por todas as escolas.
O principal representante do Associacionismo de Edward L. Thorndik, e sua importância está em ter sido o formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Sua produção de conhecimento pautava-se por uma visão de utilidade deste conhecimento, muito mais do que por questões filosóficas que perpassam a Psicologia.
Historicamente, os conceitos associacionista serviram como substituto por mais detalhada teoria de aprendizagem. Três homens se destacaram como contribuintes para esse aspecto do movimento associacionista. Hermann Ebbinghaus (1850-1909) provou uma profunda modificação do modo de trabalho associacionista. Antes dos seus estudos a aprendizagem de sílabas sem sentidos, a tendência tinha sido para começar com as associações já formadas e tentar inferir, retrospectivamente, o processo de formação das associações. Ebbinghaus começou pelo outro extremo, estudando a formação das associações; assim, foi-lhe possível controlar as condições em que se formam as associações e realizar o estudo científico da aprendizagem. I. P. Pavlov (1849-1936), o grande fisiologista Russo, teve uma responsabilidade primordial numa outra mudança: a de se estudar a associação em termo de conexões E-R e não de idéias.
As suas pesquisas prévias sobre o reflexo condicionado contribuíram, pois, para tornar a psicologia objetiva. E. L. Thorndike (1874-1949) desenvolveu a explicação mais completa dos fenômenos psicológicos, segundo uma perspectiva associacionista; portanto, trataremos o seu sistema como o representante mais apropriado do associacionismo.
É difícil destacar os sistematizadores associacionistas modernos, que não pertencem a qualquer escola coesa. Um homem é considerado associacionista na medida que utiliza princípios associacionista; mas os princípios associacionistas empregam toda a psicologia recente e contemporânea de modo que devemos selecionar os "associacionistas".
O termo de associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem de dar por um processo de associação das idéias – das mais simples às mais completas. Assim, para apreender uma coisa complexa, a pessoas precisariam primeiro aprender as idéias mais simples, que a ela estariam associadas.
Thorndike formulou a Lei do Efeito, que seria de grande utilidade para a Psicologia Comportamentalista. De acordo com essa Lei do comportamento de um organismo vivo (um homem, um pombo, um rato etc.) tende a se repetir, se nós o recompensarmos (efeito) assim que ele o emitir. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer se o organismo for castigado (efeito) após sua ocorrência, e, pela Lei do Efeito, o organismo irá associar essas situações com outras semelhantes. Por exemplo, se, ao apertarmos um dos botões do rádio, formos "premiados" com música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como: toca-discos, gravadores etc.



BEHAVIORISMO


O termo Behaviorismo foi inaugurado pelo americano John B. Watson, em um artigo de 1913 que apresentava o título: Psicologia como behaviorista. O termo inglês behavior significa comportamento, daí se denominar esta tendência teórica de Behaviorismo. Mas, também utilizamos outros nomes para designá-la, como comportamentalismo, teoria comportamental, análise experimental do comportamento.
Watson, postulando o comportamento como objeto da Psicologia, dava a essa ciência a consistência que os psicólogos da época vinham buscando. Um objeto observável, mensurável, que podia ser reproduzido em diferentes condições e em diferentes sujeitos. Essas características eram importantes para que a Psicologia alcançasse o status de ciência, rompendo definitivamente com a sua tradição filosófica.
É importante esclarecer que o behaviorismo apesar de colocar o comportamento como o objeto da Psicologia, considera que "só quando se começa a relacionar os aspectos do comportamento com os do meio é que há possibilidade de existir uma Psicologia Científica".
Portanto, o behaviorismo dedicou-se ao estudo do comportamento, na relação que se mantém com o meio ambiente onde ocorre. Mas, como o comportamento e meio são termos amplos demais para serem úteis para uma análise descrita nesta ciência, os psicólogos desta tendência chegaram aos conceitos de estímulo e resposta (teoria S-R:abreviatura dos termos latinos Stimulus e Responsio).
Estímulos e resposta são, portanto, as unidades básicas da descrição e o ponto de partida do comportamento.
O homem começa a ser estudado como produto do processo de aprendizagem pela qual passa desde a infância, ou seja, como produto das associações estabelecidas durante sua vida entre estímulos( do meio) e respostas (manifestações comportamentais).
O mais importante behaviorista que sucedeu Watson é B. F. Skinner (1904-1990) . O behaviorismo de Skinner conhecido como análise experimental do comportamento tem influenciado muitos psicólogos americanos e de vários países onde a psicologia americana tem grande penetração como o próprio Brasil.
A base da corrente skinneriana está na formulação do condicionamento operante, que é o comportamento voluntário e abrange uma quantidade muito maior da atividade humana. Como diz Keller o comportamento operante "inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer em algum momento, têm um efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor. O comportamento operante opera sobre o mundo, por assim dizer, quer direta, ou indiretamente" .
A principal aplicação dos conceitos apresentados tem sido a educação. São conhecidos os métodos de ensino programado e o controle e organização da situação de aprendizagem, bem como a elaboração de tecnologia de ensino.
Entretanto, outras áreas também têm recebido a contribuição das técnicas e conceitos desenvolvidos pelo Behaviorismo, como área de treinamento de empresa; a clínica psicológica, o trabalho educativo de crianças excepcionais, a publicidade e outros mais.
Na verdade, a análise experimental do comportamento pode auxiliar-nos a descrever nossos comportamentos em qualquer situação ajudando-nos a modificá-las.



A GESTALT


Psicologia da Gestalt é uma tendência teórica mais coerente e coesa da história da Psicologia. Seus articuladores preocuparam-se em construir não só uma teoria consistente mais também uma base metodológica forte que garantisse a consistência teórica. Gestalt é um termo alemão de difícil tradução. O termo mais próximo em português seria forma ou configuração, que não é utilizado não por corresponder exatamente ao seu real significado em Psicologia.
No final do século passado estudiosos procuravam compreender o fenômeno psicológico em seus aspectos naturais (principalmente no sentido da mensurabilidade). A Psicofísica estava em voga.
Ernst Mach (1838 –1916), físico, e Christian von Ehrenfels (1859-1932), filósofo e psicólogo, desenvolviam uma psicofísica com estudos sobre as sensações (o dado psicológico) do espaço tempo-forma (dado físico) e podem ser considerados com os mais diretos antecessores da psicologia da Gestalt . Max Wertheimer (1880-1943) Wolfgang kohler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941), baseados nos estudos psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção construíram a base de uma teoria eminentemente psicológica.
Eles iniciaram seus estudos pela percepção e sensação do movimento. Os Gestalt estavam preocupados em compreender quais os processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica, quando o estímulo físico é percebido pelo sujeito como uma forma diretamente da que ele tem da realidade.
É o caso do cinema. Quem já viu uma fita cinematográfica sabe que ela é composta de fotogramas estáticos. O movimento que vemos na tela é ilusão de ótica causada pela pós-imagem retiniana (a imagem demora um pouco para se "apagar"em nossa retina). Como as imagens vão-se sobrepondo em nossa retina, temos a sensação de movimento. Mas o que de fato está na tela é uma fotografia estática.



A PSICANÁLISE


As teorias científicas surgem influenciadas pelas condições da vida social nos aspectos econômicos, políticos, culturais etc. São produtos históricos criados por homens concretos que vivem o seu tempo e contribui ou alteram radicalmente o desenvolvimento da ciência.
Sigmund Freud (1856-1839) foi um médico vienense que alterou radicalmente, o modo de pensar a vida psíquica. Sua contribuição é comparável à Karl Max na compreensão dos processo históricos e sociais. Freud ousou colocar os "processos misteriosos"do psiquismo, suas "regiões obscuras", isto é, as fantasias, sonhos, os esquecimentos, a interioridade do homem, como problemas científicos. A investigação sistemática desses problemas levou Freud à criação da Psicanálise.
O Termo Psicanálise é usado para se referir a uma teoria, a um método de investigação e uma prática profissional. Teoria caracteriza-se por um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica. Freud publicou uma extensa obra, durante toda sua vida, relatando suas descobertas e formulando leis gerais sobre as estruturas e o funcionamento da psique humana. A psicanálise, enquanto método de investigação, caracteriza-se pelo método interpretativo, que busca o significado oculto daquilo que é manifesto através de ações e palavras ou através das produções imaginárias, como os sonhos, os delírios, as associações livres. A prática profissional refere-se à forma de tratamento psicológico (a análise), que visa a cura ou autoconhecimento.
A psicanálise encontra-se na posição paradoxal de frequentemente rejeitada como um sistema científico, ao mesmo tempo que é aceita por suas notáveis contribuições para a ciência, deu contribuições para vários campos, estimulou o pensamento e a observação em muitas áreas, até então negligenciadas, da psicologia: o significado dos fatores inconscientes na determinação do comportamento; a importância geral do sexo no comportamento normal e anormal; a importância do conflito da infância, do irracional e do emocional. Pessoalmente, Freud realizou argutas observações durante uma longa vida de trabalho incansável e cotidiano e contribuiu com hipóteses ou fatos - não podemos dizer ainda quais são o que – sobre vastas áreas do comportamento humano.



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