sábado, 27 de junho de 2015

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ESPANHOL

ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ESPANHOL

Autor: Alceu Bernardino Rodrigues
Prof. Orientador: Viviana Paula Perego
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Curso Licenciatura em Informática: LIN0159 – Estágio III
13/05/2015


RESUMO

O presente trabalho de estágio supervisionado tem como tema o ensino da Língua Espanhola (L.E.), a atuação docente e a formação dos professores licenciados em Letras com habilitação em Espanhol, na turma 200 do 2º ano do Ensino Médio, na EEB. Benonivio João Martins. O objetivo principal é o ensino do espanhol, a partir de uma abordagem interdisciplinar, seguindo as tendências atuais da mídia-educação. A professora Viviani utiliza nas suas aulas as novas tecnologias e Internet para pesquisar, produzir e transmitir conhecimento. Essas ferramentas representam oportunidades de inovação pedagógica. As multimídias estão presentes nas escolas, faz-se imperativo relatar sua importância na vida social dos jovens, visto que o ensino de espanhol incita aos alunos que participem mais nos diálogos, tendo o que dizer e a quem dizer em língua estrangeira.

Palavras-chave: Língua Espanhola; formação de professores; mídia-educação.



1 INTRODUÇÃO

Este paper de estágio III do curso de Licenciatura em informática tem por tema de pesquisa a formação do professor para o ensino da língua estrangeira espanhol. A graduação em letras com habilitação em Português e Espanhol, visa compreender a relação entre a linguagem e a sociedade na construção de ações pedagógicas para uma vivência da cidadania.
O estágio é composto de 20 aulas de observação da professora Viviani e cinco aulas com regência, turma 200 do 2º ano do Ensino Médio na EEB. Benonivio João Martins. A escola atual é nativa digital, pois a sociedade atual faz uso ostensivo das novas tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC).
 Nas escolas há Internet, salas informatizadas, computadores e projetores de multimídias que possibilitam a exibição de vídeos, mapas, simuladores, imagens e hipertextos. Todavia, para que essas ferramentas sejam integradas ao currículo escolar e transmitam conhecimentos aos alunos, os professores precisam estar habituados com sua utilização, criando novas maneiras de apresentar aos educandos os conteúdos curriculares de cada disciplina escolar.
Hoje os alunos interagem através das redes sociais utilizando seus smartphones, tabletes, smartvs e computadores com acesso à internet, esse potencial que por enquanto está mais para entretenimento e comunicação pode ser inserido no processo de ensino. Diante dessa realidade é recomendável que professores também utilizem os celulares como ferramenta de pesquisa na internet em suas aulas.
Os celulares possuem diferentes aplicativos para os mais diversos fins, por exemplo, o tradutor por voz que ouve as frases em português e além de escrever as palavras e textos, fala na língua que o aluno desejar. O ensino de espanhol como língua estrangeira no Brasil foi regulamentado através da Lei nº 11.161 de 05 de agosto de 2005 impulsionando a formação de professores para o ensino de Espanhol nas escolas de Ensino Médio.


2 ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM ESPANHOL        

A globalização aproximou a pessoas e as conectou com o mundo, faz-se necessário, cada vez mais, estudar uma língua estrangeira. Na América Latina o espanhol é a língua mais falada e vem se convertendo em uma língua do mundo dos negócios. Através do Tratado de Assunção, de 26 de março de 1991, que abriu as portas para a constituição de um Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, implicando em uma livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos.
Este tratado visa facilitar as relações comerciais, ocasionando mudanças, não só nas relações econômicas entre os países membros, mas também em relação à valorização do espanhol, e do ensino desta língua no Brasil, por ser o único país do bloco a não possuir o espanhol como língua materna. Conforme Sedycias (2005, p. 45):

Se quisermos interagir devidamente com esse gigantesco mercado, teremos que aprender a língua e cultura dos nossos vizinhos hispano-americanos. Com base nessa realidade, é importante ressaltar que o ensino do Espanhol é fundamental tanto para fomentar as oportunidades de cunho comercial e econômico, quanto cultural, acadêmico ou pessoal. Outro aspecto a ressaltar acerca da necessidade do estudo da língua espanhola se deve ao fato dela estar, atualmente, entre as mais importantes línguas mundiais como veículo de comunicação, sendo o idioma oficial em 21 países e possuindo mais de 332 milhões de falantes como língua materna, ficando atrás somente do Mandarim, há mais falantes de espanhol como língua nativa que o inglês, o qual conta com 322 milhões de falantes nativos.

Aproximadamente 100 milhões de pessoas falam espanhol como sua segunda língua, superado apenas pelo Inglês, estando grande parte concentrada em dois continentes importantes: Europa e América. Para Sedycias (2005, p. 40):

Um conhecimento razoável de espanhol fará uma grande diferença em qualquer viagem que um brasileiro faça a um país de língua espanhola. Poderemos aproveitar mais do país que visitarmos e teremos mais oportunidades de estabelecer amizades ou mesmo relações mais formais (intercâmbios econômicos, acadêmicos, científicos, etc.) se pudermos nos comunicar na língua dos nossos anfitriões. Jamais devemos pensar que, simplesmente porque sabemos português, podemos compreender espanhol sem maiores problemas.

            Nas Américas o espanhol é a língua nativa predominante, e cresceu significativamente no Brasil.


2.1 O ESPANHOL NA ESCOLA BRASILEIRA

A implantação do espanhol na grade curricular das escolas públicas brasileira é favorecida pela Lei 11.161 em agosto de 2005, quem faz a escolha entre o ensino da língua espanhola ou a inglesa são as escolas. O estudo de uma língua estrangeira agrega valor cultural, aprendem-se novos hábitos, pensamentos e sentimentos, além de crenças, gostos e o modo como falam e se comportam em sociedade no país onde a língua é falada.
As vantagens de uma formação social e cultural são benéficas para a educação e devem ser adicionadas naturalmente nas salas de aulas. Martínez Sallés (2004, p. 2) expõe que é preciso desenvolver quatro competências linguísticas fundamentais para a aprendizagem de uma língua: compreensão da leitura, expressão escrita, compreensão auditiva e expressão oral dentro de um contexto cultural significativo.
Com a mesma linha de pensamento, Sanz González (1995, p. 122) pontua que:
Ha de trabajarse siempre sobre textos auténticos, es decir, textos que constituyan parte de la vida de los nativos de La lengua que se estudia. No deben rechazarse textos que a primera vista puedan parecer demasiado difíciles; los resultados pueden demostrar al final que Dan mejores frutos que los más fáciles, sobre todo com alumnos acostumbrados a motivarse con retos. La simplificación llegará después, al sustituir algunas estructuras, al redactar de nuevo alguna parte del texto com recursos más llanos, o haciendo um resum em com los médios propios Del alumno. Sucede a menudo que lo que resulta verdaderamente difícil no es el texto ensí sino lãs actividades que sobre El mismo se lês impone después.      

O professor pode selecionar os textos e, utilizar estratégias e atividades que facilitem o entendimento de novas estruturas, para superar qualquer dificuldade linguística inicial enfrentada pelo aluno.


2.2 O ENSINO DO ESPANHOL NO BRASIL

            A língua espanhola se transformou em um instrumento de comunicação internacional e conquistou seu espaço em uma posição de grande relevância, abrindo portas para um mundo profissional, acadêmico e cultural, figura entre as dez mais faladas no mundo e assume o posto de primeiro lugar nas Américas.  Com a globalização e as estreitas relações com os países vizinhos, que tem o espanhol como língua oficial e a participação do país no Mercado Comum do Sul (Mercosul), contribuem e estimulam atualmente o crescente interesse por seu estudo no país.
 Com a participação do Brasil no Mercosul, fez-se necessário pensar em seu processo de ensino-aprendizagem, haja visto que, apesar de guardar semelhanças com a língua nacional e ser, aparentemente, de fácil compreensão para os brasileiros. O espanhol traz suas diferenças linguísticas, fazendo-se imperativo, portanto, um estudo mais cuidadoso para o desenvolvimento de sua fluência e para a desmistificação da ideia de que sua aprendizagem, por ser considerada uma “língua fácil”, dispensaria a necessidade de um estudo formal.
A variedade dos heterossemânticos, palavras em espanhol que são escritas exatamente iguais a algumas palavras em português, mas apresentam significados totalmente distintos, como é caso dos falsos cognatos, conhecidos também como falsos amigos, por exemplo, demonstra a devida atenção requerida pelo ensino-aprendizagem dessa língua.
Diante das considerações expostas, as orientações curriculares nacionais para o ensino da língua espanhola no Ensino Médio destacam a necessidade de se abordar não apenas os conteúdos gramaticais e lexicais. Deve-se também de se explorar a heterogeneidade linguística do seu objeto de estudo em seus aspectos contextual, social, cultural e histórico, com o intuito de que se forme no aluno uma consciência crítica da existência dessa heterogeneidade e diversidade linguística e sociocultural.
O ensino de línguas estrangeiras deve libertar-se da dinâmica mecanicista normalmente empregada em seu ensino-aprendizagem e incentivar a formação integral do aluno, direcionada aos valores de cidadania e de completude do ser humano. Junger (2005) aponta que tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional quanto os Parâmetros Curriculares Nacionais traçam, implícita ou explicitamente, como objetivo do processo educativo, entre outros, o autoconhecimento decorrente do contato com o outro, o desfazimento de preconceitos, o desenvolvimento do potencial para a convivência e o respeito intercultural, o incentivo à construção do pensamento crítico.
A proposta é despertar no aluno uma percepção de linguagem diferenciada, que ultrapasse seu caráter instrumental primário para que alcance um entendimento de uma linguagem aprimorada com novos significados, conhecimentos e valores. Deste modo o ensino do espanhol como língua estrangeira colabora com as demais disciplinas para a construção coletiva do conhecimento e para a formação cidadã. Em termos gerais, tem-se que:
[...] a língua estrangeira não é simplesmente matéria escolar a ser aprendida, mas tem função educacional, e um dos seus papéis mais importantes, o de expor os alunos a outra língua a partir de uma óptica menos instrumental, poderá ajudar, entre outras coisas, a interferir positivamente na relação que os estudantes brasileiros guardam com a própria língua, em especial com a escrita. (BRASIL, 2006, p. 133).

 A literatura auxilia o desenvolvimento do aluno como ser humano e como cidadão e possibilita a valorização do educando em todos os seus aspectos.



2.3 FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A REALIDADE ATUAL

O profissional da educação deve estar devidamente habilitado em espanhol para exercer suas funções, e esteja se atualizando, devido as constantes mudanças tecnológicas com conhecimentos em todos os níveis, acessíveis através da internet. O papel dos professores é facilitado e o conhecimento passa a ser temporário, portanto, há necessidade de uma constante atualização.

A Web é um recurso precioso para a educação, pois coloca à disposição de estudantes e professores uma quantidade imensa de informações. Navegando na Internet, é possível: “visitar” museus; universidades, bibliotecas do mundo inteiro; imagens diferenciadas; hipertextos e vídeos, selecionando o que há de melhor em todas as áreas de cultura e conhecimento.
Ribeiro (2010) destaca que a Internet pode ser considerada a mais completa, abrangente e complexa ferramenta de aprendizado do mundo, através dela podem acessar diferentes fontes de informação que, virtualmente, nos habilitam a estudar diferentes áreas do conhecimento.
Adolescentes e principalmente crianças não conseguem compreender o mundo sem a utilização da comunicação em tempo real, configurando-se como Nativos Digitais. Em outras palavras, a tecnologia é totalmente incorporada no seu cotidiano, sendo utilizada como ferramenta útil nos estudos, na vida diária e como um poderoso espaço para o desenvolvimento das suas relações sociais, através da participação em comunidades virtuais. Dessa forma, a criança é um agente social que interpreta seu mundo e sua vida de forma particular, através de múltiplas interações estabelecidas pelas crianças entre si e com adultos. (RIBEIRO, 2010, pg. 17).

Não basta dispor de computadores e bons programas para ter êxito na sala de aula. Há também a necessidade de criar espaços específicos para as diferentes disciplinas, o que possibilitará utilizar sistematicamente o computador sem ter de ser transportado para a sala. A formação de professores é igualmente aceita como a chave do sucesso de qualquer inovação educacional (BRASIL, 2015).
A qualidade da formação dos professores é fator que mais determina a qualidade da sua prática educativa. A utilização contínua permite a formação dos conceitos e ideias pedagógicas sobre a sua utilização, ‘Como ensinar’ é tão importante como ‘o que ensinar’. Não há prática educativa sem o "saber fazer" (BRASIL, 2015).          
A formação de professores capazes de utilizar o computador como uma ferramenta nas práticas educativas, portanto, exige a capacitação técnica e uma prática reflexiva. Este tipo de educação continuada, formação-ação que ocorre na prática pedagógica, tem sido indicado como a mais adequada. Rosalen (2001, p. 147) aponta que:
Os cursos de treinamento preparam tecnicamente os professores, o que não deixa de ser importante, mas não é o suficiente. O professor precisa se capacitar para entender por que e como integrar o computador em sua prática educativa, atendendo aos objetivos pedagógicos e às necessidades de seus alunos. Para isto é essencial o processo de reflexão da própria prática.



3 VIVÊNCIA DO ESTÁGIO: SEQUÊNCIA DIDÁTICA

3.1 Primeira aula: Animais existentes nos países que falam o espanhol

Apresentação do tema para pesquisa com o objetivo de produzir uma apresentação eletrônica, explicação das ferramentas a serem utilizados, o estilo da apresentação e as informações necessárias sobre a entrega e apresentação desse trabalho. Os alunos foram divididos em grupos e seguiram para a sala informatizada onde iniciaram a pesquisa online, observando fotos de animais e selecionando quais seriam pesquisados, foram orientados para que o trabalho fosse simples e seguindo as regras da apresentação eletrônica.


3.2 Segunda aula: Pesquisa na Internet

Reapresentação do exemplo do trabalho que os alunos devem fazer, apontando as características dos animais pesquisados, de forma simples e organizada. Continuação da pesquisa e produção da apresentação eletrônica.


3.3 Terceira aula: Apresentações Eletrônicas

A partir dos animais pesquisados, os grupos de alunos produziram uma apresentação eletrônica, com fotos e textos com as características principais dos animais. As apresentações foram elaboradas utilizando a ferramenta chamada editor de slides, estes softwares proporcionam através de pequenos tópicos explicativos um show de imagens reais dos temas estudados além de recursos para manipulação de textos, imagens, gráficos, organogramas, tabelas, sons, animações e link para vídeos.


3.4 Quarta aula: Socialização do conhecimento adquirido

Finalização dos trabalhos e envio por e-mail ou pen drive a docente. Início da socialização utilizando o projetor de multimídias.


3.5 Quinta aula: Avaliação e Socialização

Os trabalhos produzidos através de apresentação eletrônica foram apresentados usando o projetor de multimídia, A professora ao acompanhar as apresentações acrescenta informações enriquecendo assim as apresentações dos alunos. A averiguação da aprendizagem foi feita através da observação dos alunos durante as aulas, dos trabalhos produzidos e exibidos aos colegas e a desenvoltura durante as apresentações.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao final desse trabalho conclui-se a importância da formação de professores para o ensino de espanhol e a utilização das ferramentas tecnológicas para tornar as aulas interessantes. As novas tecnologias representam oportunidades tanto de inovação tecnológica quanto pedagógica, a língua espanhola se transformou em um instrumento de comunicação internacional e conquistou seu espaço em uma posição de grande relevância, abrindo portas para um mundo profissional, acadêmico e cultural no Brasil.

REFERÊNCIAS

TAFNER, Elisabeth Penzlien; SILVA, Everaldo. Metodologia do Trabalho Acadêmico. Indaial: UNIASSELVI, 2011.

SEDYCIAS, João. O ensino do espanhol no Brasil. São Paulo: Parábola, 2005.

MARTÍNEZ SALLÉS, Matilde. Libro, déjame libre: Acercarse a la literatura con todos los sentidos. RedELE: Revista Electrónica de Didáctica ELE, nº. 0, 2004. Disponível em: <http://www.educacion.es/redele/revista/martinez.shtml>. Acesso em: 29 maio 2015.

SANZ GONZÁLEZ, Félix. La literatura en la clase de lengua extranjera: ¿una presencia incómoda? Didáctica, Madrid, 7, 119-132, Servicio de Publicaciones 11CM, 1995. Disponível em: <http://revistas.ucm.es/edu/11300531/articulos/DIDA9595110119A.PDF>. Acesso em: 29 maio 2015.

JUNGER, Cristina Vergnano. El reto del trabajo con compresión lectora en E/LE para profesores y estudiantes brasileños. FIAPE, I Congreso Internacional: el español, lengua del futuro, Toledo, abr. 2005. Disponível em: <http://www.mepsyd.es/redele/biblioteca2005/fiape/vergnano.pdf>. Acesso em: 29 maio 2015.

RIBEIRO, Ana Carolina Ribeiro. O computador como uma ferramenta para auxiliar na aprendizagem: a visão de alunos e professores. Monografia de Graduação. Porto Alegre: UFRGS, 2010. Disponível em: http://www.nuted.ufrgs.br/wordpress/wpcontent/uploads/2011/04/TCC-Ana-Carolina.pdf Acesso em: 29 Maio 2015.

  ROSALEN, Marilena S. Educação Infantil e Informática. Piracicaba, SP: [Tese (doutorado) – UNIMEP], 2001. Disponível em: <http://28reuniao.anped.org.br/textos/gt08/gt081345int.rtf> Acesso em: 29 maio 2015.

BRASIL, decreto-lei nº 11.161, de 05 de Agosto de 2005. Dispõe sobre o ensino da língua espanhola. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11161.htm>. Acesso em: 29 maio 2015.


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