AÇÕES
PEDAGÓGICAS QUE FACILITAM A INCLUSÃO NAS ESCOLAS
Alceu Bernardino Rodrigues
Professor Tutor Externo: Viviana Perego
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Curso Licenciatura em Informática (LIN0159) – Prática do Modulo
II
01/06/2013
RESUMO
Este paper apresenta uma breve contextualização bibliográfica a cerca do processo de inclusão escolar de alunos com necessidades especiais. Seu objetivo principal é gerar conhecimentos sobre as características do processo de inclusão nas escolas públicas. Explicar-se-á neste estudo o desenvolvimento histórico da inclusão e sua repercussão nos dias atuais. Em sua efetivação criou-se leis, normas e ideologias inclusivas para auxiliar as crianças diante do processo inclusivo. Este estudo apontará algumas dificuldades e ações pedagógicas que visam melhorar a interação da criança inclusa dentro das salas de aulas. Finalizando pontuaremos relatos de professores de inclusão social e responsáveis pela escola, e seus apontamentos sobre suas dificuldades sobre o processo inclusivo que relatam algumas ações eficientes no processo inclusivo, proporcionando melhor qualidade de vida para as crianças.
Palavras chaves:
Inclusão; Crianças; Professores;
Escola; Ações Inclusivas.
1 INTRODUÇAO
Inclusão Escolar por algum tempo foi inovação
escolar, fruto da sociedade pós-moderna, que se voltou a uma prática
pedagógica destinada a dignidade da existência humana, onde
reconhece e valoriza as diferenças. Criou-se a priori
no processo de inclusão mobilizações nas escolas, para incluir as
crianças com necessidades especiais no ensino regular e, sua plena
garantia na participação do processo de aprendizagem em sala de
aula com os demais alunos, reforçando a convivência e socialização
no espaço de conhecimento e aprendizagem.
Neste prisma pesquisamos alguns professores
responsáveis pela inclusão no ambiente escolar e, suas dificuldades
em desenvolver seu trabalho em sala de aula e, as ações que podem
ser realizadas a fim de facilitar o processo inclusivo. Este estudo
iniciar-se-á ilustrando a história da inclusão, suas principais
leis, os modelos sociais, as dificuldades e ações pedagógicas
facilitadoras da inclusão, finalizando apontaremos algumas
ações pedagógicas que facilitam a inclusão e suma importância da
formação continuada dos professores.
2 ORIGEM DA INCLUSÃO
2.1. AS CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NA ANTIGUIDADE
Na antiguidade a pratica de exclusão das crianças e adultos
“anormais1”
era comum, com apoio muitas vezes da própria família e Igreja. Na
legislação Greco-romana da DVODECIM TABVLARVM LEGES2,
em sua Tábula IV, artigo trata do pátrio poder e do casamento,
consta: Si pater filium ter venum duit, filius a patre liber
esto3.
Onde era permitido um pai matar um filho que nasceu disforme. Em
cada época, a exclusão teve um enfoque diferenciado à cerda das
crianças com necessidades especiais. (MINGHETTI e KANAN, 2010).
Os povos Egípcios ressaltavam a necessidade de respeitar as pessoas
com deficiências. Todavia, os Espartanos, colocavam as crianças com
necessidades especiais nas montanhas, isoladas, retiradas da
sociedade, sobre cuidados de outras pessoas. Em Roma estas crianças
eram jogadas ainda com vida no rio Tibre. Na idade media as pessoas
anormais, eram consideradas possuidores de demônios, maus espíritos.
Os anormais eram excluídos do convívio social, escondidos e
submetidos a castigos físicos e psicológicos ou eram impiedosamente
mortos (ROSA, 1991). No século XIX, inicia uma visão médica sobre
as necessidades especiais, merecedores de tratamento médico. Em 1960
começa as ideias de integração na sociedade e a partir de 1990
começa o processo de inclusão no ensino regular. (MINGHETTI e
KANAN, 2010).
2.2.
LEIS QUE REGULAMENTAM A INCLUSÃO NAS ESCOLAS
Dentre os acontecimentos mundialmente relevantes na política
inclusiva, destacam-se: a “Declaração Mundial de Educação para
Todos”, Tailândia, em 1990; e posteriormente, a Declaração de
Salamanca (Espanha, 1994). Os alunos com necessidades especiais
tiveram seus direitos garantidos de igual forma, através da criação
do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que expõe, em seu
Art. 5º: “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer
forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão. Será punido na forma da lei qualquer
atentado, tanto por ação quanto por omissão, aos seus direitos
fundamentais.” Em seu Art. 54, parágrafo III, consta: “É dever
do Estado, assegurar à criança e ao adolescente portador de
deficiência, atendimento educacional especializado,
preferencialmente na rede regular de ensino.” (MINGHETTI e KANAN,
2010, p.420).
Minghetti e Kanan (2010) destacam que as crianças com necessidades
especiais, a partir deste Estatuto, tiveram seus direitos assegurados
ao acesso, permanência e ensino de qualidade em escolas públicas,
de tal modo que a inclusão no ambiente escolar consista em
possibilitar à criança todo o desenvolvimento possível dentro de
seus limites.
2.3 MODELOS SOCIAIS PARA A INCLUSÃO
A inclusão segue um modelo social, no qual é a sociedade quem deve
se modificar para incluir, quando então, a inclusão acaba por
denunciar problemas que a sociedade tem há muito tempo. A inclusão
escolar postula a reestruturação do sistema de ensino, tal que a
escola no próprio ato de abrir-se às diferenças do ser humano,
adquira a necessária competência para fazer o que dela socialmente
se espera, sem quaisquer distinções. Estas aspirações consistem
em crenças de que a criança com necessidades especiais possam ser
capazes de aprender de forma construtiva, ao mesmo tempo em que
procura desmistificar a questão dos limites da educação inclusiva
no convívio em grupo (MINGHETTI e KANAN, 2010).
Para Minghetti e Kanan (2010) a inclusão, hoje, é pautada em
trabalhos na área da Educação e Psicologia, porque está envolta
em comportamentos, como afetos, condições de saúde, moradia e
alimentação, que fazem parte de discussões acaloradas sobre a
inclusão escolar e social e a condição humana nesta realidade. A
ampliação do conhecimento sobre as características da Educação
Especial e do processo de inclusão de crianças com necessidades
especiais proporcionou aos profissionais da saúde, educadores, pais
e sociedade, a possibilidade de aprenderem a partir das experiências
vividas e, deu-lhes uma profícua contribuição com propostas de
ações futuras no campo da inclusão.
2.4 O PROCESSO DE INCLUSÃO NAS ESCOLAS ESTADUAIS
O Estado, através da Secretaria da Educação contrata professores
temporários para trabalhar como II Professor4
de inclusão social. Diante de uma pesquisa realizada na escola onde
atuo, ao realizar indagações com a Coordenadora da escola sobre as
principais dificuldades da escola diante do processo de inclusão,
esta ligada aos professores que trocam sempre de alunos e escolas,
sendo que às vezes acontecem três substituições por ano, muitas
vezes a Secretaria de Educação demora muito tempo para enviar ou
autorizar um segundo professor.
Para ter um segundo professor em sala é preciso de muitos
documentos e laudos de especialistas. Isso demora tempo e, muitas
vezes os pais não tem interesse ou não aceitam que seu filho é
especial, e este aluno é prejudicado em seu desenvolvimento e
rendimento escolar. Os professores que são enviados para as escolas
na maioria das vezes são formados em pedagogia ou estão estudando,
muitas vezes não estão preparados para ser professor de um aluno
com necessidades especiais. Deste modo, não conseguem realmente
ajudar seu aluno e culpam o governo por não os preparar para a
rotina na sala de aula, por não promover cursos que os capacitem
melhor, por outro lado demonstram pouco interesse em fazer cursos e
aprender já que assim que tiverem chance abandonam seu aluno por
outras atividades educacionais.
Ao conversar com uma professora que tem uma sala de aula com muitos
alunos, alega que mesmo os alunos sem necessidades apresentam
dificuldades em aprender e não sobra tempo para dar atenção ao
aluno de inclusão, portanto ela procura ignorar a inclusão e
procura cuidar da educação dos outros alunos normais, deixando a
cargo da segunda professora cuidar e ensinar o aluno incluso.
2.5 AS CONSIDERAÇÕES DA 2ª PROFESSORA DE INCLUSÃO
A professora de inclusão social ressalta “ser mais difícil
trabalhar com uma criança deficiente mental, que dar aula para 25
alunos, dentro da sala de aula” (sic). Ao iniciar o ano ela não
conhece seu aluno, tem que descobrir qual é a necessidade especial
do aluno, e as dificuldades de aprendizagem que dificultam o processo
de aprendizagem. Ao levantar as dificuldades é planejado metas e
organizado quais serão as abordagem dos conteúdos para efetivar o
processo de inclusão. É criado o PDI (Plano de desenvolvimento
individual), desenvolvido pelo professor para cruzar com o plano da
escola, o (PPP) e determinar a metodologia a ser utilizada em cada
caso: altista, cego, cadeirante ou deficiente intelectual.
É preciso criar uma prova especial, uma técnica especial, e tempo
especial, tudo dentro da sala de aula, para que isso aconteça é
preciso ter capacitação necessária de modo a auxiliar o aluno no
acompanhamento das aulas;
“Não é fácil pra quem está acostumada a crianças que
respondem rapidamente as ações aos temas propostos, é precisa
trabalhar seu emocional, ter muita paciência e perseverança durante
as quatro horas de aula, muitas vezes a criança cansa, se torna
instável, é preciso sair da sala para acalmar-se, a possibilidade
de voltar para a sala com mais tranquilidade depende da criança e a
professora precisa saber aceitar suas vontades e irreverências”
(sic).
A criança especial, devido a sua condição apresenta comportamento
diferenciado, como relata a professora: “algumas vezes quer
fazer atividades, outras vezes não quer, é preciso paciência todo
o tempo, usar a diplomacia, isso justifica o fato de todo ano a 2ª
professora mudar de aluno, pois é muito difícil emocionalmente se
manter por mais de um ano com a mesma criança” (sic).
As dificuldades apontadas pela 2ª professora de libras dão-se na
hora de fazer o seu trabalho e ajudar o seu aluno a aprender, nesse
caso aluno surdo: “Os professores de sala não são preparados
para ajudar os alunos inclusos, principalmente na área de surdez
eles dizem, ''ele que se vire''“ (sic). Segundo a entrevistada:
“O aluno especial deve se virar sozinho para aprender, mesmo sem
ouvir nada e sem entender o que a professora falante explica, ele
deve aprender sozinho, pois as professoras não o entendem” (sic).
“O foco da inclusão não deve ser com este pensamento, o aluno
surdo precisa de professores que mesmo que não entendam nada de
libras, tenham paciência, porque quer queira ou não eles não são
iguais, os direitos são iguais, mas os surdos são diferentes dos
outros alunos, eles estão dentro de uma sala de aula onde, todos
menos ele ouvem, ele esta ali sem ouvir na maioria das vezes nada, e
o segundo professor encontra barreiras, porque os professores não
deixam a professora de libras dar nem 15 minutos de aula por semana
para os alunos normais, ensinando coisas do dia a dia, simples
comprimentos e elogios, eles preferem pensar que aquele aluno nem
esta na sala, ele deve deste modo ser invisível” (sic).
Faz-se importante relatar que a criança com
necessidades especiais também é capaz
de uma aprendizagem rica e construtiva, ao mesmo tempo em que
procuram desmistificar a questão dos limites da educação inclusiva
no convívio em grupo. “Os professores são responsáveis pelo
ensino e os alunos pelo aprendizado, mas nem sempre isso ocorre, pois
fatores biológicos, sociais e psicológicos interferem nessa
relação” (MINGHETTI e KANAN, 2011, p.112).
Como expõe Glat e Oliveira (apud
Minghetti e Kanan, 2011, p.113):
For school
inclusion to be real, the regular class teacher has to be alerted
and trained (both
psychologically and intellectually) to “change her way of teaching
and adapting what she is going to teach” in order to meet the needs
of all students, including the ones with the most serious
difficulties5.
2.4 AÇÕES PEDAGÓGICAS QUE FACILITAM A INCLUSÃO DENTRO DA SALA DE
AULA
A ação que podem facilitar a inclusão no ensino regular e no
contexto escolar pode ser; pequenas ações como pontuam Minghetti e
Kanan (2011): Capacitação continuada dos professores e da escola
junto com a secretaria da educação; a conscientização por parte
dos professores que esse aluno está sendo incluso, portanto ele deve
participar de maneira igual; os professores precisam ter paciência,
para que a criança há seu tempo, participe efetivamente das aulas,
entre outros.
“Muitos professores dizem que o governo não os preparou para
aquela situação com o aluno incluso, mas o professor deve assim
mesmo interagir, fazer a chamada em libras, fazer um elogio, um oi,
obrigado, desculpa, dar bom dia, boa tarde, perguntar se ele está
bem, perguntar por que faltou a aula ontem, tudo isso em libras,
porque são coisas do cotidiano que qualquer professor basta ele
querer aprende em uma semana” (sic).
O aluno cadeirante, cego, surdo com outra necessidade especial vem à
escola para ser incluso, não é ele que deve se adaptar a escola,
aos colegas e professores, mas sim os professores e os alunos normais
que devem se adaptar a este aluno, para que com a ajuda do segundo
professor, a inclusão realmente aconteça. Os professores devem ter
interesse em aprender assim o aluno surdo sabendo que o professor
quer aprender, aos poucos vai procurando ensinar o professor,
portanto basta ter interesse que a inclusão começa a acontecer
(MINGHETTI e KANAN, 2010).
O sucesso
da inclusão de alunos com deficiência na escola regular depende,
portanto, de elaborar um currículo escolar que retrate o meio social
e cultural em que e que a criança se insere e das possibilidades de
se conseguir progressos significativos desses alunos em escolaridade
e aprendizado, por meio da adequação das práticas pedagógicas
voltadas as diversidades dos aprendizes. Para atingir esse sucesso, a
escola regular deve assumir que as dificuldades de alguns alunos não
devem ser apenas deles, mas resultam em grande parte do modo como o
ensino é ministrado e a aprendizagem é concebida e avaliada
(MINGHETTI e KANAN, 2011).
Como expõe Glat e Oliveira (apud Minghetti e Kanan, 2011, p.113):
The Education
professionals are not the sole responsible for the curriculum. There
is fundamental knowledge that is in the specialist’s field of
expertise, but there is also knowledge that comes from the community
inside and outside the school, and from the students themselves,
which can extraordinarily improve the curriculum. Thus, it needs to
be democratic,
encompassing, and inclusive, in orderto meet the singularities of the
student body –
not ust the so-called special educational needs, but the individual
needs of those who cross the school environment6.
Se dermos mais tempo para que os alunos aprendam, eliminando a
seriação, a reprovação, nas passagens de um ano para outro,
adequaremos o processo de aprendizagem ao ritmo e condições de
desenvolvimento dos alunos, um dos princípios das escolas de
qualidade para todos.
Por outro lado, a inclusão implica em se desenvolver um ensino
individualizado para os alunos que apresentam déficit intelectual,
problemas de aprendizagem e outros relacionados ao desempenho
escolar. Na visão inclusiva, não se segregam os atendimentos, seja
dentro ou fora das salas de aula, ele deve aprender, a partir de
currículos adaptados. “Nesses casos o professor não determina a
extensão e a profundidade dos conteúdos a ser apresentado, ele
facilita as atividades para alguns, assim, já prevê as dificuldades
que pode encontrar para realizá-las. Mas é o aluno que se adapta ao
novo conhecimento e só ele é capaz de regular o seu processo de
construção intelectual”. (MANTOAN,
2007, p. 2).
A
avaliação constitui outro entrave à inclusão. “É urgente
suprimir o caráter classificatório da avaliação escolar, através
de notas, provas, pela visão diagnóstica desse processo que deverá
ser contínuo e qualitativo, visando depurar o ensino e torná-lo
cada vez mais adequado e eficiente à aprendizagem de todos os
alunos”. Essa medida já diminuiria substancialmente o número de
alunos que são indevidamente avaliados e categorizados como
deficientes, nas escolas regulares (PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS
DO CIDADÃO- PFDC, 2003, p.21).
A
inclusão não prevê a utilização de métodos e técnicas de
ensino específicas para esta ou aquela deficiência. “Os alunos
aprendem até o limite em que conseguem chegar, se o ensino for de
qualidade, isto é, se o professor considera o nível de
possibilidades de desenvolvimento de cada um e explora essas
possibilidades, por meio de atividades abertas, nas quais cada aluno
se enquadra por si mesmo”, na medida de seus interesses e
necessidades, seja para construir uma ideia, ou resolver um problema
ou realizar uma tarefa, esse é o grande desafio a ser enfrentado
pelas escolas regulares tradicionais, cujo paradigma é condutista, e
baseado na transmissão dos conhecimentos (PFDC, 2003, p.22).
O
trabalho coletivo e diversificado nas turmas e na escola como um todo
é compatível com a vocação da escola de formar as gerações. É
nos bancos escolares que aprendemos a viver entre os nossos pares, a
dividir as responsabilidades, repartir as tarefas. “O exercício
dessas ações desenvolve a cooperação, o sentido de se trabalhar e
produzir em grupo, o reconhecimento da diversidade dos talentos
humanos e a valorização do trabalho de cada pessoa para a
consecução de metas comuns de um mesmo grupo” (MANTOAN,
2007, p. 2).
2.6 A
FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES
Para Mantoan (2007, p. 3)
no geral, os professores são bastante resistentes às inovações
educacionais, como a inclusão. “A tendência é se refugiarem no
impossível, considerando que a proposta de uma educação para todos
é válida, porém utópica, impossível de ser concretizada com
muitos alunos e nas circunstâncias em que se trabalha”, hoje, nas
escolas, principalmente nas redes públicas de ensino.
Os
professores, como qualquer ser humano, tendem a adaptar uma situação
nova às anteriores. E o que é habitual, no caso dos cursos de
formação inicial e na educação continuada, é a separação entre
teoria e prática. “Essa visão dicotômica do ensino dificulta a
nossa atuação, como formadores. Os professores reagem inicialmente
às novas metodologias, porque estão habituados a aprender de
maneira incompleta, fragmentada e essencialmente instrucional”
(MANTOAN, 2007, p. 3).
Eles esperam aprender uma prática inclusiva, ou melhor,
uma formação que lhes permita aplicar esquemas de trabalho
pré-definidos às suas salas de aulas, garantindo-lhes a solução
dos problemas que presumem encontrar nas escolas inclusivas. “Se de
um lado é preciso continuar investindo maciçamente na direção da
formação de profissionais qualificados, não se pode descuidar da
realização dessa formação e estar atento ao modo pelo qual os
professores aprendem para se profissionalizar e aperfeiçoar seus
conhecimentos pedagógicos, assim como reagem às novidades, aos
novos possíveis educacionais. (MANTOAN,
2007, p. 3).
Mantoan
(2007, p.4) as escolas e professores com os quais estamos trabalhando
já apresentam sintomas pelos quais podemos perceber que estão
evoluindo para uma educação de qualidade para todos, esses sintomas
podem ser resumidos no que segue:
- Reconhecimento e valorização da diversidade, como elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem;
- Professores conscientes do modo como atuam, para promover a aprendizagem de todos os alunos;
- Cooperação entre os implicados no processo educativo, dentro e fora da escola;
- Valorização do processo sobre o produto da aprendizagem;
- Enfoques curriculares, metodológicos e estratégias pedagógicas que possibilitam a construção coletiva do conhecimento.
É
preciso, contudo, considerar que as avaliações dos efeitos de
nossos projetos não se centram no aproveitamento de alguns alunos,
os deficientes, nas classes regulares.
Embora estes casos sejam objeto de nossa atenção,
queremos acima de tudo saber se os professores evoluíram na sua
maneira de fazer acontecer à aprendizagem nas suas salas de aula; se
as escolas se transformaram, se as crianças estão sendo respeitadas
nas suas possibilidades de avançar, autonomamente, na construção
dos conhecimentos acadêmicos; se estes estão sendo construídos no
coletivo escolar, em clima de solidariedade; se a as relações entre
as crianças, pais, professores e toda a comunidade escolar se
estreitaram, nos laços da cooperação, do diálogo, fruto de um
exercício diário de compartilhamento de seus deveres, problemas e
sucessos. (MANTOAN,
2007, p. 3).
A escola deve desempenhar vários
papéis, que não somente os da aprendizagem, mas os de educar e
incluir, integrar e preparar a criança para enfrentar as barreiras
que interferem e interferirá no seu desenvolvimento como ser
humano (MINGHETTI e KANAN, 2010).
3
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao final deste paper conclui-se que ainda nos dias de hoje a
inclusão é um tabu nas escolas diante da dificuldade de ensinar e
do desconhecimento das necessidades especiais dos alunos. Precisa-se
facilitar a inclusão de crianças com deficiências nas salas de
aula, temos que procurar melhorar as práticas docentes existentes e
construir uma prática inclusiva, porque pela lei todas as pessoas
são iguais, sem distinção de cor, etnias ou de limitações física
e intelectual, a diversidade enriquece o ambiente escolar e permite a
exploração de diversos recursos pedagógicos, que junto à escola
farão parte deste processo educacional.
A organização no espaço escolar e a clareza das particularidades
de cada um faz a total diferença no processo de adaptação e
aprendizagem. Deste modo, percebe-se que a escola deve sempre
procurar se adaptar a criança e eu como professor devo estar sempre
disposto a receber essas crianças e promover sua completa inclusão,
promovendo sua aprendizagem e interação com seus colegas de sala.
Sabe-se que mudar a escola, nos dias de hoje, é um processo
demorado, uma escola de qualidade, que é igualitária, justa e
acolhedora, já existe, porém pode melhorar, inovar. Minha conclusão
em relação à inclusão e as perspectivas do ensino são animadoras
e esperançosas, já está bom, mas muita coisa pode melhorar.
REFERÊNCIAS
MINGHETTI, Lenir Rodrigues; KANAN, Lilia
Aparecida. Atuação do Psicólogo no contexto da inclusão
escolar de crianças com necessidades especiais. Visão Global,
Joaçaba, v. 13, n. 2, p. 419-440, jan./jun. 2010. Disponível
em:
http://editora.unoesc.edu.br/index.php/visaoglobal/article/view/968
Acesso em: 15 de maio 2013.
MINGHETTI, Lenir Rodrigues; KANAN, Lilia
Aparecida. Aspectos facilitadores e
limitadores do processo de inclusão na percepção do “Segundo.
Professor”. La Salle - Revista de
Educação, Ciência e Cultura | v. 16 | n. 2 | jul./dez. 201.
Disponível em:
http://www.revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Educacao/article/view/203.
Acesso em: 15 de maio 2013.
MANTOAN, Maria Teresa
Eglér. Todas as crianças são bem-vindas à
escola. Disponível em:
http://www.pro-inclusao.org.br/textos.html
Acesso em: 15 de maio 2013.
BRASIL, PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO. Acesso de
pessoas com deficiência às classes e as escolas comuns da rede
regular de ensino. 2003. Disponível em:
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/atuacao-e-conteudos-de-apoio/publicacoes/pessoa-com-deficiencia/acesso_alunos_ensino_publico_2004
Acesso em: 15 de maio 2013.
1
Este conceito refere-se ao de Michel Foucault (2001).
2
LEIS DAS DOZE TÁBUAS (450 a.C).
3
É permitido ao pai matar o filho que nasceu disforme, mediante o
julgamento de cinco vizinhos.
4
RESOLUÇÃO ESTADUAL N. 112/2006/CEE/SC: estabelece o segundo
professor para auxiliar o professor regente nas classes que têm
aluno(s) com necessidades especiais matriculados.
5
Tradução: Para
que a inclusão escolar seja real, o professor da classe regular
deve ser alertado e treinado tanto psicológica quanto
intelectualmente, para “mudar sua forma de ensinar e adaptar o que
ela se propõe ensinar”, a fim de atender às necessidades de
todos os alunos, incluindo aqueles com as mais sérias dificuldades.
6Tradução:
Os profissionais da
educação não são os únicos responsáveis pelo currículo. Há
saberes fundamentais que estão no campo do conhecimento dos
especialistas, mas há também o conhecimento que vem da comunidade
dentro e fora da escola e dos próprios alunos, que podem melhorar o
currículo. Assim, ele precisa ser democrático, abrangente e
inclusivo, a fim de atender às singularidades do corpo discente -
não apenas as chamadas necessidades educacionais especiais, mas as
necessidades individuais dos que transitam no ambiente escolar.
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